O Aborrecimento molda a minha vida

A minha infância e adolescência foram vividas numa vila no centro de Portugal. Bem no interior.
A escola, a catequese e o escutismo eram as minhas actividades de lazer. Não havia sala de cinema e de teatro.  Da escola e das aulas sobre Deus gostei do convívio com os colegas, e do escutismo... se me recordo não gostei de nada.
E a acrescentar a esta energia explosiva era uma criança introvertida.
O verdadeiro aborrecimento.

Aos 11 anos comecei a cortar imagens de revistas e jornais - não recordo como e nem porquê, mas este foi o primeiro momento da minha história. Marcou o início da minha carreira: criar histórias visuais.
Estava a comunicar os meus pensamentos e emoções através da colagem, distante de saber que o que fazia tinha o nome técnico de 'colagem'. Sabia sim que tinha encontrado a fórmula mágica de superar o tédio.

As revistas e jornais abriram outro mundo novo para mim: educaram-me sobre as diferentes vidas e culturas, sobre as pessoas e outros rostos. Apaixonei-me por isso e por tudo o que existia fora do pinhal onde vivia.

Anos mais tarde, o tédio tirou-me de Aveiro para Timor-Leste, em 2012 de Lisboa para São Paulo e de São Paulo para aventurar-me sozinha de mochila às costas pela América do Sul.
Depois da aventura da minha vida, pelo menos até agora, voltei de novo para as origens.

Em 2015, mudei de novo para Lisboa e concentrei as minhas energias no que acredito ser o meu dom: criar histórias e emoções em formato visual - comunicação visual.

O aborrecimento e o medo são dois sentimentos que podem funcionar positivamente para expandir a nossa consciência e experiências. 

Este texto foi escrito como storytelling para a minha apresentação no evento Pecha Kucha Night Lisbon em 2016.